Lenhard_Balaur Posted Tuesday at 03:41 PM Já reparou como virou moda essa conversa de: não existe certo ou errado? Pois é. O discurso atual é que ter regra na vida e no BDSM é limitante, que limite é coisa de gente de mente fechada, chata (litúrgica) e que o negócio é viver numa "liberdade plena". Mas para e pensa comigo: essa mesma galera que adora pregar o fim das regras aceitaria numa boa se alguém fizesse uma sacanagem da grossa com ela? Na hora que o calo aperta, todo mundo cobra respeito, exige justiça e quer regras bem claras. A cilada do "tudo é relativo" A grande verdade (e sim a verdade existe apesar de muita gente dizer que não) é que dizer que não existe certo ou errado virou a desculpa perfeita para ter carta branca e fazer as maiores merdas. É a facilidade de fazer o que der na telha, agir no egoísmo e depois lavar as mãos sem arcar com as consequências. Narcisismo? Red Flag? Se a gente olhar pela psicologia e neurociência, o cérebro humano não foi feito para rodar no escuro. Quando você tira qualquer tipo de referência, a mente entra em parafuso porque tudo passa a ser imprevisível e instável. Quer um exemplo bem simples? Imagina uma partida de futebol onde não existe regra alguma. Sem linha lateral, sem falta, sem juiz, valendo tudo. Isso vira o quê? Um caos desgraçado, onde ganha quem for mais mau-caráter e ninguém mais joga. O jogo só é bom, fluido e seguro justamente porque existem marcações bem definidas. No BDSM e nas relações em geral é a mesmíssima coisa. O consentimento, a confiança e a segurança de todo mundo dependem de acordos muito bem alinhados. Se a gente elimina as regras e descarta os rituais, o que era para ser uma prática estruturada, madura e foda vira bagunça, perigo e até abuso disfarçado de rebeldia. Por que a regra traz paz de verdade? Muita gente acha que regra serve para prender, mas é exatamente o oposto. Pensa só: por que as leis de trânsito existem? Para atrapalhar o seu caminho ou para garantir que você não vai tomar uma lapada no cruzamento? Quando temos poucas regras, mas claras e fixas, a cabeça descansa. Você não precisa gastar energia tentando adivinhar se a pessoa do seu lado vai te dar uma rasteira ou se vai honrar o que alinhou com você. A regra traz paz mental porque cria um ambiente previsível e seguro. Ou seja, regra não é algema; é estrutura. É o muro firme do quintal: ele delimita o espaço justamente para você ter a liberdade de criar e aproveitar lá dentro sem medo de invasão ou de tudo desabar. As 5 regras básicas para manter a ordem Para não ter que decorar um manual de mil leis, a gente só precisa de 5 regras fundamentais para ter relações de respeito, sem conversinha e sem hipocrisia: 1 - O combinado não sai caro: Honre a sua palavra. Se alinhou um acordo, cumpra do começo ao fim sem inventar desculpa. Não precisa, apesar de ser legal, ter um contrato com tudo escrito nos mínimos detalhes e 3 vias com testemunhas (lembrando que Contrato BDSM não tem valor Legal), ou seja se você chegar na frente do Juiz com um Contrato de Servidão Sexual BDSM além dele não ligar pode ser usado contra você como prova criminal. O Contrato BDSM é uma alegoria, ele serve para ser uma base e um lembre-se do que foi combinado. Porque não adianta nada combinar Mil regras, condutas, comportamentos e punições, se no dia a dia sem ter que ler o Contrato, as pessoas envolvidas não Valorizam os Acordos firmados. 2- O limite do outro tem que ser Respeitado: O que fere a integridade, o corpo ou o consentimento do outro está errado e ponto final. Não tem meio termo. Se está listado como Limite, a única pessoa que pode em algum momento por escolha própria tentar vencer esse limite é a pessoa que impôs ele. Não é a Rainha e nem o Dom. E sim, Tops também pode ter limites e é bom que os deixem claro, somos humanos e ter limites mostra que sabemos respeitar os limites dos outros. Caso o limite seja flexivel, senta e conversa de forma franca com seu parceiro, vejam o que pode ser feito. Mas não vai me bancar o Te***uta de Fim de Semana e tentar curar o Limite da pessoa, você pode piorar ao invés de melhorar e por em risco seu relacionamento e a vida de quem você gosta. Deixe a cura psicológica para profissionais competentes, tratamentos de longo prazo e se mesmo assim você for profissional da saúde mental, não pode se relacionar com pacientes. Já ouviu falar em Ética Profissional? 3- Responsabilidade pelas atitudes: Quer ser livre? Ótimo, mas pague a conta do que faz. Se errou, assuma e conserte, sem essa história furada de que tudo é relativo. Pagar a conta não é pagar com dinheiro por favor, é assumir a sua responsabilidade. Seja você Top ou Bottom tenha a responsabilidade de Cuidar do seu parceiro(a), Comandar ou se submeter e Assumir os BOs que você mesmo causou. Não estamos falando do famoso "mimo", deveriam ser todos adultos e livres, então essa de pagar $$$ para a outra pessoa mimos, não é e nem nunca foi Regra. Não se submeta à isso, em geral são pessoas que cobram algo mas não entregam nada. Submissas não achem que os Dominantes tem Obrigação de assumir as Falas, Cagadas e Maluquices que vocês inventam. Da mesma forma Dominantes, não joguem suas frustrações e Megalomanias em cima das(dos) submissas(os). 4 - Mesma régua para tudo: A cobrança que você faz nos outros tem que ser a mesma que você aplica a si mesmo. O que não quer que façam contigo, não faça com ninguém. Porra aí é simples e até uma pessoa com baixo QI entende. Se você não gosta de ser maltratado, não maltrate a outra pessoa. Se não gosta de ser xingado, não faça com o outro. Se não concorda com algo, saiba dialogar e não sai agredindo. Você não curte Regras e Rituais, então não faça, mas também, não critique quem faz. Precisa desenhar? 5 - Transparência antes de tudo: Se mudou de ideia no meio do caminho, abra o jogo e converse. Pegar o outro de surpresa sob o pretexto de ser espontâneo é só falta de consideração. MENTIRA, simples assim. Se não era verdadeiro, nem devia ter dito. Aliás, passar pano para Mentiroso entra nessa também, porque você mostra que Valoriza a Mentira desde que seja da pessoa que você gosta. No fim das contas, quem chora contra qualquer tipo de regra geralmente só quer o privilégio de fazer cagada sem pagar o preço e sem se importar com quem tá do lado. Estabelecer limites claros e fixos não é atraso, é sinal de maturidade, inteligência e respeito à cultura que se diz seguir. Quem vive falando que não existe certo ou errado, só quer viver o Bônus e não quer assumir o Ônus da vida. E para você, dessas 5 regras, quais você realmente segue no dia a dia?
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