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POR QUE EXISTEM TANTAS INTRIGAS ENTRE SUBMISSAS E DONS NO MEIO BDSM?

Por: Dom Soares
27/10/2026

Vamos falar de um assunto que incomoda muita gente, mas que precisa ser colocado na mesa: por que existe tanta intriga entre submissas e entre Dons dentro do meio BDSM?

Será que estamos realmente construindo uma comunidade baseada em respeito, conhecimento, responsabilidade e consensualidade, ou estamos transformando esse meio em um verdadeiro campo de batalha de egos?

Entre submissas, muitas vezes surgem disputas por atenção, reconhecimento, posição e validação. Algumas passam a enxergar a outra como concorrente, como se a existência de uma submissão alheia diminuísse o próprio valor. Aparecem comparações, comentários maldosos, julgamentos e histórias contadas pela metade.

Submissão não é competição. Não existe troféu para quem se mostra mais obediente, mais próxima de um Dom ou mais reconhecida dentro de uma comunidade.

Cada pessoa tem sua história, seus limites, suas escolhas e sua maneira de viver uma dinâmica. Respeitar isso é sinal de maturidade.

E entre os Dons? A realidade não é muito diferente.

Há quem transforme o título em instrumento de superioridade, a experiência em arrogância e a popularidade em uma suposta autoridade sobre os demais. Alguns não conseguem aceitar opiniões divergentes, questionamentos ou o reconhecimento de outro Dominador. Em vez de compartilharem conhecimento, preferem alimentar rivalidades, desqualificar colegas e disputar quem parece ser o mais respeitado.

Mas fica a pergunta: se um homem precisa destruir a reputação de outro para sustentar o próprio título, que autoridade ele realmente demonstra?

Ser Dom não significa ser dono da verdade. Ter anos de vivência não significa saber tudo. Ter uma casa, um grupo ou várias pessoas ao seu redor não transforma ninguém em referência absoluta de caráter.

O mesmo vale para as submissas: estar sob uma coleira não significa estar acima de outras pessoas, assim como não possuir uma coleira não torna ninguém menos digno ou menos importante.

O problema cresce quando a comunicação dá lugar à fofoca, quando o diálogo é substituído por acusações e quando qualquer divergência vira uma guerra pessoal.

É preciso, porém, saber separar as coisas: denunciar abusos, alertar sobre comportamentos perigosos e estabelecer limites não é intriga. O problema está em inventar histórias, manipular informações e atacar alguém por inveja, disputa de espaço ou interesses pessoais.

Nem toda crítica é perseguição. Nem todo alerta é inveja. E nem toda pessoa que discorda de você é sua inimiga.

O BDSM já exige responsabilidade suficiente para que seus próprios praticantes não precisem criar guerras desnecessárias entre si.

Falamos tanto de confiança, respeito, lealdade, contratos, limites e consensualidade. Mas de que adianta defender esses princípios dentro de uma dinâmica e abandoná-los quando saímos dela?

A ética não pode existir apenas quando nos convém. O respeito não pode ser seletivo. E a responsabilidade precisa aparecer principalmente quando os conflitos surgem.

Talvez o problema não seja a falta de união absoluta, porque ninguém é obrigado a gostar de todos ou concordar com todos. O verdadeiro problema é a dificuldade de conviver com diferenças sem transformar tudo em rivalidade.

Não precisamos ser amigos de todos. Precisamos aprender a não fazer inimigos por vaidade.

O meio BDSM não precisa de mais personagens, títulos inflados ou disputas por popularidade. Precisa de pessoas que compreendam o peso das próprias palavras, assumam as consequências de suas atitudes e tenham coragem de conversar diretamente, em vez de alimentar conflitos nos bastidores.

Deixo uma reflexão para submissas e Dons:

Você está fortalecendo o meio BDSM com sua postura ou contribuindo para destruí-lo com suas intrigas?

Porque, no final, uma coleira não prova caráter, um título não prova sabedoria e a popularidade não prova integridade.

O que realmente revela quem somos é a nossa postura quando temos a oportunidade de prejudicar alguém e escolhemos agir com responsabilidade.

— Dom Soares

Intensidade com consciência. Verdade acima de performance.

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